Respiro fundo. Tento preencher ao máximo meus pulmões de ar só para esvazia-los depois. Sinto vontade de sentir meu corpo, por fora, por dentro. Indago-me com a sensação de estar presente onde penso estar presente, revelando a reciprocidade alma e corpo, pensamento e espaço. Mostrando para mim mesma a beleza de estar, a integridade de ser. Destaco cada cor ou marca, cada imperfeição, cada incolor. É intrigante enxergar o feio como belo simplesmente por não ser qualquer feio, por ser o seu feio. Criamos tantos meios de não nos encaixarmos em nós, fragilizando a nossa imagem, desviando o visível do sensível. Morremos assassinados, desolados, desamparados. Mortos por nossos pesadelos, por medos, por nós mesmos. A rotina me fez dela sua peça, um brinquedo chutado, desmantelado, moldado com os parâmetros que os ventos do Norte, do Sul ou do leste bem entendiam. Perdi-me na esquina da minha casa ou na cafeteria do centro, em plena luz do dia; nem ousei imaginar que, nestes milésimos de segundos, no espaço entre uma respiração e outra; na íntegra, um paradoxo se desintegrava. Confiei em mim e veio a resposta - senti. Mesmo em meio aos ventos fortes de angústia ou aos abalos sísmicos de incerteza, não haveria com o que temer. O incerto seria certo e eu, sendo eu, permaneceria intacta.
Integralmente (Luíza Campos - 09/04/16)